Cristão com problemas mentais é espancado por orar na prisão paquistanesa

Um cristão de 25 anos, portador de deficiência mental, que está preso no Paquistão sob acusação de blasfêmia, foi brutalmente espancado por seus companheiros de prisão porque estava orando, segundo o grupo norte-americano International Christian Concern.

Yaqoob Bashir, que é da área de Mirpurkhas da província de Sindh e está preso desde 2015, após um clérigo muçulmano acusá-lo de queimar páginas de um livreto com versos do Alcorão. Ele estava orando por uma audiência, mas seus companheiros de prisão não queriam que ele orasse.

A camisa e o rosto de Bashir estavam cobertos de sangue seco e ele sofreu ferimentos no rosto, nos olhos, no queixo e na cabeça quando apareceu no tribunal no último final de semana, informou a ICC. Quando o juiz perguntou sobre os ferimentos, Bashir narrou o incidente. O juiz ordenou que Bashir fosse transferido para uma cela separada e também convocou os prisioneiros para testemunhar sobre o incidente.

"É triste ouvir que os cristãos não estão seguros nem sob custódia policial", disse o bispo Samson Shukardin, da Diocese de Hyderabad. "É dever do Estado assegurar a proteção de todos os cidadãos. Se um jovem cristão está enfrentando violência e tortura na prisão, então podemos imaginar as novas consequências da perseguição".

Autoridades omissas

Shukardin sugeriu que a vida de Bashir estava em perigo. O gerente regional da ICC, William Stark, disse que é "muito perturbador ver que as autoridades prisionais permitiriam que outros prisioneiros atacassem e ferissem Yaqoob por meramente exercer seus direitos de liberdade religiosa".

As leis de blasfêmia do Paquistão, que estão incorporadas nas Seções 295 e 298 do Código Penal do Paquistão, acarretam uma pena de morte, e ainda não há nenhuma provisão para punir um falso acusador ou uma falsa testemunha de blasfêmia.

Em 2011, Salmaan Taseer, um empresário e político paquistanês que serviu como governador da província de Punjab foi assassinado por seu próprio guarda-costas depois de criticar publicamente as leis de blasfêmia do país, referindo-se ao caso de Asia Bibi, mãe cristã de cinco filhos que foi condenada à morte em 2010 por acusações de blasfêmia. O então ministro das minorias, Shahbaz Bhatti, cristão, também foi emboscado e morto supostamente porque disse que Bibi deveria receber perdão.

Alegações de blasfêmia frequentemente "derivam do desejo do acusador muçulmano de se vingar" e "resolver pequenas disputas pessoais", segundo o Centro de Assistência, Assistência e Assentamento Legal do Paquistão, ou CLAAS.

Em 2015, Katrina Lantos Swett, então presidente da Comissão de Liberdade Religiosa Internacional dos Estados Unidos, e sua colega comissária, Mary Ann Glendon, divulgaram um relatório após sua visita ao Paquistão. "Há uma crescente onda de perseguição religiosa por parte do Estado e por militantes", escreveram eles.

"A comissão está ciente de quase 40 pessoas no corredor da morte ou cumprindo penas de prisão perpétua por blasfêmia, uma estatística incomparável no mundo. A lei promove a violência contra minorias religiosas, como cristãos, hindus e ahmadis".


Fonte: The Christian Post

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