Tráfico Internacional de crianças na China: 40 milhões de homens sem esposa

Um grupo de direitos humanos alertou que a escravidão sexual de meninas na China é um problema que continuará por décadas graças a grave discriminação de gênero. As restrições que o país impõe aos casais que desejam ter filhos, como a política do filho único implantada pelo governo da República Popular da China, tem como objetivo reduzir o crescimento populacional e contribuiu com milhares de abortos do sexo feminino e consequentemente com um maior número de meninos sendo gerados.

Lançada pelo governo chinês no fim da década de 1970 consistia numa lei segundo a qual fica proibido, a qualquer casal, ter mais de um filho. Casais que têm mais de um filho eram punidos com severas multas. Existem, hoje, cerca de 80 milhões de filhos únicos na China. Eles são conhecidos como pequenos imperadores.

Os direitos das mulheres sem fronteiras, chefiados por Reggie Littlejohn, que durante anos se manifestou contra os abortos forçados pela política chinesa, disseram em um comunicado que os abortos seletivos de meninas continuam no país asiático.

"Agora, a China tem cerca de 30 a 40 milhões de homens que nunca encontrarão esposas e não conseguirão se reproduzir e seguir a linhagem familiar. Esse alarmante desequilíbrio de gênero é a força motriz por trás da escravidão sexual na China", o grupo avisou.

"Isso será verdade nas próximas décadas. Mesmo que a China elimine todas as limitações de nascimento coercitivo agora, mesmo que a preferência cultural do filho desaparecesse magicamente e que as proporções de gênero ao nascer fossem normalizadas, os efeitos dessas mudanças não seriam sentida por décadas", acrescentou.

Sequestro e casamento forçado

A falta de mulheres no país "aumenta a demanda por prostituição e a busca por mulheres estrangeiras como noivas para homens chineses, que podem ser obtidos por força ou coerção. Mulheres e meninas são sequestradas ou recrutadas por um corretor matrimonial e transportadas para a China, onde estão sujeitas a sexo comercial ou trabalho forçado".

O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime e vários outros grupos também marcaram o dia importante na segunda-feira, alertando que o tráfico de pessoas é uma operação multibilionária que afeta quase todos os países do mundo.

O UNODC disse que há milhões de homens, mulheres e crianças vítimas de tráfico humano todos os anos e que quase um terço de todas as vítimas de tráfico são crianças.

"Nenhuma região ou país está intocado pelo tráfico de crianças e jovens, que continuam a ser traficados para múltiplos propósitos, incluindo exploração sexual e trabalhista, mendicância, casamento forçado, como soldados ou para práticas combinadas de exploração", alerta o órgão da ONU.

"Os traficantes também lucram com o movimento em grande escala de menores desacompanhados e fazem mal uso de novas tecnologias para alcançar vítimas adicionais".

Uma gerra contras as mulheres

A WRWF disse que, embora o tráfico humano e a escravidão sexual sejam de fato questões globais, a China é o único país afetado pelo problema de desequilíbrio de gênero.

"A taxa normal é de 105 meninos nascidos para cada 100 meninas nascidas. No seu auge, a proporção sexual da China ao nascer era de 121 meninos para cada 100 meninas," o que criou o desequilíbrio entre os sexos totalizando cerca de 30 a 40 milhões dos chamados "excedentes masculinos".

O grupo culpou as medidas de controle populacional da China pelas "centenas de milhões de mulheres chinesas" que foram "abortadas à força", acrescentando que "dezenas de milhões de meninas foram seletivamente abortadas e mulheres de dentro da China e de todo o mundo estão sendo sugadas para a escravidão sexual".

"A política do filho único da China causou mais violência contra mulheres e meninas do que qualquer outra política oficial na Terra e qualquer outra política na história da humanidade. Esta é a verdadeira guerra contra as mulheres", afirmou.

 Fonte: The Christian Post

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