Muçulmanos incendeiam lares cristãos no Egito

Um grupo de muçulmanos atacou uma aldeia cristã no sul do Egito na semana passada deixando dois crentes coptas e um bombeiro feridos que precisaram ser hospitalizados.

A diocese copta ortodoxa de Minya anunciou que pelo menos quatro casas cristãs na vila de Demshaw Hachem foram atacadas e saqueadas na última sexta-feira por "extremistas" que se opuseram aos cultos nos lares.

"Esses extremistas roubaram jóias e dinheiro, destruíram eletrodomésticos e incendiaram propriedades", diz a declaração da diocese, segundo a AFP.

Aqueles que atacaram as casas eram residentes da aldeia ou vieram de áreas próximas. Alguns dias antes a vila ouviu falar sobre outro ataque em uma vila cristã e receberam ameaças.

Embora a igreja tenha informado as autoridades sobre a ameaça de um possível ataque, a declaração da diocese explica que as autoridades só ajudaram os cristãos depois que o ataque ocorreu. Trinta e oito suspeitos teriam sido presos em conexão com o ataque.

Extremismo islâmico

Segundo o  Middle East Eye, a diocese acredita que a falta de medidas pró-ativas das autoridades contribuiu para o impacto do ataque. "A probabilidade da recorrência de tais ataques é muito alta, desde que os perpetradores não sejam punidos", disse a diocese.

Como aproximadamente 10% da população egípcia é cristã, o Egito atualmente ocupa  a 17ª pior nação do mundo quando se trata de perseguição cristã, de acordo com a World Watch List de 2018 da Open Doors USA.

No Egito, os cristãos frequentemente enfrentam restrições na construção de locais de culto. Quando eles conseguem se reunir para um culto, costumam enfrentar represarias.

Nos últimos anos, os cristãos coptas foram submetidos a numerosos ataques brutais e atentados à bomba cometidos por extremistas islâmicos.

Igrejas fecham

Um ataque semelhante ao que ocorreu na sexta-feira passada em Demshaw Hachem ocorreu na vila vizinha de Ezbet Sultan Pasha semanas antes.

De acordo com o World Watch Monitor, o primeiro protesto contra os cristãos em Ezbet Sultan Pasha começou em 6 de julho, depois que circularam rumores de que um pedido foi apresentado para construir uma igreja na cidade.

"Os manifestantes gritavam como “não queremos uma igreja em nossa aldeia”, disse o residente Hany Farouk à agência de notícias da perseguição na época. "Nós nos trancamos em nossas casas durante a manifestação porque temíamos que eles nos atacassem”. A polícia não fez nada para dispersar os manifestantes e não prendeu ninguém".

As manifestações contra os cristãos na aldeia continuariam em 7 de julho sem qualquer intervenção policial. Em 13 de julho, ocorreu uma manifestação ainda maior, que também incluía moradores de outras aldeias. Eles atiraram tijolos e projéteis na igreja e em uma casa copta vizinha.

"Eles gritavam 'Allahu akbar' (Allah é o maior) e entoavam palavras de ordem hostis contra os coptas, tais como: “Não permitiremos a existência de nenhuma igreja em nossa aldeia muçulmana. Não permitiremos que outras orações sejam realizadas, exceto nossas orações", disse Farouk.

Cristãos no governo de Luxor também enfrentaram lutas semelhantes. A diocese buscou reconhecimento de oito igrejas, que nunca foram oficializadas pelo governo.

Em agosto, a oitava igreja fechou depois que os moradores protestaram contra o prédio da igreja a ser reconhecido. Em maio de 2017, homens armados mataram 28 pessoas e feriram outras 22 quando elas abriram fogo em um comboio que transportava coptas de Minya.


Fonte: The Christian Post

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