Rebeldes russos estão fechando igrejas na Ucrânia

Rebeldes apoiados por russos na região de Luhansk, na Ucrânia, vêm reprimindo o cristianismo protestante invadindo igrejas, dispersando fiéis e impedindo o novo registro.

Uma organização norueguesa de direitos humanos, revelou que os rebeldes emitiram ordens de recadastramento obrigatórias para organizações religiosas na região, mas negaram a aprovação de muitas.

Nenhuma comunidade Batista ou Adventista do Sétimo Dia foi supostamente capaz de se registrar novamente. A igreja Adventista teve que suspender todas as atividades a fim de impedir que as igrejas fossem tomadas.

Houve vários casos de igrejas protestantes sendo invadidas nos últimos meses. Rebeldes armados invadiram uma igreja batista em Brianka no final de setembro, enquanto o pastor da igreja batista de Krasny Luch está enfrentando uma possível punição por permitir a realização do culto matinal de domingo sem registro.

Invasão nas igrejas

Doze policiais fecharam a reunião da manhã de domingo na Revival Baptist Church, dizendo aos 25 fiéis reunidos para irem para casa. Vários deles foram interrogados, enquanto o pastor Dmitry Sirbu foi forçado a abrir o cofre da igreja. A Sirbu está enfrentando ameaças legais por violar o Código Administrativo por permitir os encontros.

Em outro caso, em agosto, homens armados com armas automáticas invadiram a Igreja Pentecostal de Grace Church of God, em Alchevsk, durante uma reunião de adoração, forçando os cristãos a se deitarem de bruços no chão, enquanto tomavam computadores da igreja.

Diante de questionamentos, Andrei Litsoev, chefe do Departamento de Organizações Religiosas e Espiritualidade do Ministério da Cultura, Juventude e Desporto em Luhansk, recusou-se a explicar por que tantas igrejas estão sendo impedidas de se registrar.

Luhansk, na região oriental da Ucrânia, permanece sob controle rebelde quase quatro anos após a escalada do conflito Ucrânia-Rússia. Autoridades disseram que a demanda por organizações religiosas para se registrarem novamente seguem um decreto de maio de 2015 que proibiu eventos de massa sob a lei marcial, em uma tentativa de formar um controle firme sobre as atividades do povo.

As Igrejas Católicas Romanas também tiveram que se candidatar para o registro, embora ainda estejam esperando para receber uma resposta. Outros, como as Testemunhas de Jeová, disseram que nem mesmo tentarão se registrar novamente, dado que a denominação foi proibida na Rússia.

"Parece lógico, já que as autoridades de Donetsk recentemente proibiram a atividade das Testemunhas de Jeová, seguindo o curso da Federação Russa", disse um membro das Testemunhas de Jeová, que não foi identificado.

"Outra razão é que o procedimento de registro implica a revelação de informações pessoais sobre os adoradores que poderiam facilmente se tornar novos alvos de perseguição", acrescentou.

Muçulmanos também são perseguidos

O Grupo de Proteção aos Direitos Humanos de Kharkiv informou que os muçulmanos também foram alvejados na Crimeia, a região que foi anexada pela Rússia em 2014.

"Desde que a Rússia criminalizou as crenças das pessoas, muçulmanos na Criméia ocupada e na Rússia enfrentam uma perseguição garantida apenas por defenderem as visões do Hizb ut-Tahrir", observou o grupo, referindo-se a um movimento pan-islâmico que é legal na Ucrânia, mas não na Rússia.

"O Serviço Federal de Segurança da Federação Russa desenvolveu um sistema para inventar supostas “evidências” de envolvimento com algo ilícito. Em muitas situações eles trazem uma “testemunha secreta” cuja identidade é escondida da defesa, e que dão testemunho em uma sala separada, e que certamente recebe deles as respostas para os questionamentos, acrescentou”.

Fonte: The Christian Post

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