O Continente Asiático é o pior do Mundo em Exposição Infantil ao Abuso Online

Os países asiáticos do sudeste estão entre os piores do mundo para a exposição infantil aos abusos e aos riscos cibernéticos, de acordo com um novo relatório de um grupo de reflexão internacional.

O novo Relatório de Impacto de 2018 do DQ Institute descobriu que 73% das crianças entre  8 a 12 anos de idade nas Filipinas estão expostos a ciber-riscos, perdendo apenas para Omã que está em segundo lugar entre os piores 29 países pesquisados.

As crianças da Indonésia também estão em risco, onde foi possível relatar um índice de 71% de crianças que experimentaram pelo menos um risco cibernético importante, incluindo ciber-bullying, dependência de videogames, reuniões off-line e relações sexuais online.

No Vietnã, 68% estavam em risco.

Enquanto a Tailândia, Malásia e Cingapura apresentaram melhores resultados, o número de crianças em risco ainda era alto em 60%, depois caiu para 57% e posteriormente para 54%.

O relatório, divulgado em janeiro, examina o estado precário da exposição das crianças aos riscos cibernéticos em todo o mundo, procura entender como as crianças se tornam expostas a esses riscos e como elas são afetadas.

Globalmente, 56% das crianças estavam em risco. Isso "equivale a dizer que nossos filhos estão no meio de uma pandemia de risco cibernético".

Países tecnologicamente emergentes

Os países emergentes em tecnologias da informação e da comunicação (TIC) - aqueles que sofreram um aumento recente no uso da internet através de dispositivos móveis - são os mais vulneráveis ​​aos riscos cibernéticos dirigidos a crianças.

O estudo revela que crianças de países emergentes de TIC são 1,3 vezes mais propensas a se envolverem com ciber-riscos em comparação com os países avançados de TIC em média. O Sudeste Asiático contém um grande número de países emergentes, tornando-se um chamariz para abusadores em linha.

"Eu acho que as Filipinas é um dos países que mais sofre com o tráfico de seres humanos e a exploração sexual através da internet", disse Ariane Lim, consultora de projetos da Assist Asia nas Filipinas. "E é por isso que é muito importante proteger nossos filhos dessas ameaças digitais".

A Birmânia (Myanmar) também experimentou um crescimento impressionante nas TIC, uma vez que abriu o setor de telecomunicações em 2013. Na época, apenas seis por cento da população tinham um telefone celular, de acordo com o relatório. Isso disparou nos primeiros 18 meses para 65% das pessoas que passaram a usar a Internet através de seus dispositivos móveis.
 
Atualmente, a população com um telefone pessoal é de 85%. Mas as pessoas desconhecem os riscos envolvidos, diz Ken Tun, CEO da Parami Energy.

"As pessoas de Myanmar não sabem o que é a Internet, eles só conhecem o Facebook", disse ele à DQ. "Não há uma consciência dos desafios e riscos que as crianças podem ter dessas plataformas".

Crescimento de dispositivos 

O crescimento de dispositivos móveis pessoais entre crianças de até oito anos é uma das forças motrizes por trás de uma exposição tão elevada aos ciber-riscos.

De acordo com o relatório, a maioria das crianças (60%) recebe seu primeiro telefone aos 10 anos de idade. E quando eles conseguem esses telefones, estão usando eles para acessar as mídias sociais, aumentando ainda mais o risco de ciber-bullying e avanços indesejados.

DQ descobriu que 85% das crianças com idades entre 8 a 12 anos de idade usam redes sociais, mesmo que a idade legal que eles possam oficialmente começar a usar a maioria das aplicações de mídia social é de 13 anos.

Globalmente, o estudo descobriu que 47% com idades entre 8 a 12 anos de idade foram vítimas de ataques cibernéticos no ano passado. Dez por cento mantiveram conversas com estranhos online. O vício em videogames afetou 11% dos entrevistados. E 17% estiveram contato com pornografia online.

Perigo para o desenvolvimento

Embora o relatório esclareça que ter sido exposto a esses riscos cibernéticos não indica diretamente que as crianças tenham sofrido danos físicos ou mentais permanentes, adverte que a exposição contínua a esses riscos em uma idade precoce coloca "em perigo o desenvolvimento geral, o bem-estar , relacionamentos e oportunidades futuras para crianças".

Com os rápidos aumentos do acesso a Internet nos países emergentes de TIC, estima-se que mais de 720 milhões de crianças entre 8 a 12 anos estejam online até 2020, totalizando mais de 90% dos usuários de países emergentes de TIC.


Fonte: Asian Correspondent

 

 

Compartilhe