Conheça a história de Frida Vingren, a missionária sueca que marcou o Brasil

Missionária, enfermeira, jornalista, musicista, compositora, poetisa, articulista, tradutora, amante de fotografia, evangelista, dirigente de igrejas, cheia do Espírito Santo, Frida Maria Strandberg era uma prova de que Provérbios 31.30 refletia também a história de mulheres como ela. Fez a diferença de uma maneira especial no Brasil. Suas canções podem ser lidas e ouvidas em grande parte do mundo através da Harpa Cristã.
 
Frida nasceu em 9 de junho de 1891, na região norte da Suécia. Desde muito cedo ela sentia que Deus a envolvia de uma maneira especial. A chama por missões ardia em seu coração a ponto de desejar ser enviada para esse trabalho, ainda muito jovem.
 
Ordenada como missionária na Igreja Filadélfia de Estocolmo, chegou ao Brasil, onde conheceu Gunnar Vingren, tornando-se grandes amigos e, finalmente, casou-se com ele, em 16 de outubro de 1917, concretizando as revelações de Deus sobre a união de ambos.
 
Contraiu malária em março de 1920 e quase morreu. Recuperada, viu seu marido pegar a mesma enfermidade várias vezes. Depois de muitos anos no Pará, a família Vingren migra para o Rio de Janeiro, seguindo o mesmo processo da migração nordestina.
 
Liderança feminina
 
Frida Vingren (nome de casada) desenvolveu grandes atividades evangelísticas, abriu frentes de trabalho em muitos lugares do Rio de Janeiro. As atividades de assistência social, círculos de oração e grupos de visitas ficaram sob sua responsabilidade.
 
Também exercia a função de docência nas classes de Escola Dominical e ministrava Estudos Bíblicos. Era responsável – no início da obra no Rio de Janeiro – pela leitura devocional nas aberturas dos cultos, pela execução musical dos hinos e, quando Gunnar Vingren se ausentava da igreja em visita ao campo missionário, Frida substituía-o pregando e dirigindo os cultos e trabalhos oficiais.
 
Frida exerceu a direção oficial dos cultos realizados aos domingos na Casa de Detenção no Rio de Janeiro e era excelente pregadora, exercendo sob seus ouvintes grande carisma. Pregava e dirigia os cultos nos pontos de pregação da AD no Rio de Janeiro, em praças públicas e áreas abertas.
 
A escritora
 
Articulou-se como escritora de diversas matérias nos jornais oficiais, como os jornais Boa Semente, O Som Alegre e Mensageiro da Paz (este último agregou os dois primeiros). Ela escrevia mensagens evangelísticas e traduzia vários outros textos e hinos da língua escandinava. Foi também comentarista das Lições Bíblicas de Escola Dominical (hoje revista oficial da CGADB para a Escola Dominical) na década de 1930.
 
Além de excelente escritora, Frida sempre se dedicou à música. Cantava, tocava órgão, violão e compunha hinos de grande valor espiritual. 23 hinos da Harpa Cristã são de sua autoria e alguns destes têm forte essência escatológica. Frida, ao que parece, não foi simplesmente uma colaboradora no processo de implantação da AD. Ela foi, juntamente com seu marido, a principal líder da Igreja entre 1920 e 1932.
 
Um exemplo de perseverança

O modelo de liderança de Frida Vingren incomodou muito a liderança masculina da AD. Frida é o modelo de uma líder completa, numa época em que as mulheres ainda não participavam da vida política do país, nem mesmo como eleitoras.
 
Frida é vista como uma mulher extraordinária. Ivar Vingren argumenta que a esposa do irmão Vingren, foi também uma missionária fiel, perseverante e zelosa, que além do cuidado pela família, soube participar e ajudar no trabalho do seu esposo. Grande é a multidão de almas que ela ganhou para Jesus durante anos de luta junto com o seu esposo.
 
Frida, numa das cartas selecionadas na obra autobiográfica dos Vingren, expressa o seu esgotamento físico e seus sentimentos acerca de seu trabalho pioneiro no Brasil. Ela enumera as dificuldades na categoria “tribulação”, sofrimento” e “agonia”. Mas tem muita esperança, quando contempla os sinais de Deus operando na Igreja e nas congregações. Ela declara que tem pagado o preço do trabalho, mas sabe que nada é em vão perante o Senhor.

A morte do casal
 
O fato é que Frida Vingren, com o agravamento da enfermidade de seu marido, foi preterida pela liderança nacional. Em 1932, por causa do estado de saúde de Gunnar, toda a família Vingren é obrigada a voltar à Suécia para cuidar da saúde de Gunnar. Neste mesmo ano, antes de viajar para a Suécia, o casal Vingren sofre com a morte de sua filha caçula.
 
Frida perde o que lhe é mais precioso no período de dois anos (1932-1933). Perde sua filhinha, é forçada pelas circunstâncias explícitas (doença do marido) e implícitas (a oposição da liderança nacionalista e masculina) a deixar o trabalho eclesiástico por ela exercido e suportar a perda – por falecimento – de seu marido. Sete anos depois do falecimento de Gunnar, Frida também entra pelas portas das mansões celestiais e as obras de suas mãos a acompanharam e naquele dia tudo se revelará.

Assuntos polêmicos

Isael Araújo, pastor da Assembleia de Deus em Niterói e autor da biografia Frida Vingren, lançada em 2014 afirma que Frida desafiava as decisões tomadas em uma convenção convocada das Assembleias de Deus, e pedia que as mulheres não recuassem. Em todo o processo, Gunnar ficou ao lado da esposa e defendeu o ministério feminino, mas foi voto vencido.

Esgotada física e mentalmente, morreu com problemas psiquiátricos. Alguns pesquisadores afirmam que ela chegou a ser internada em um hospício. Mas acima de tudo, Frida foi uma trabalhadora incansável na obra de Deus, apesar das graves enfermidades que ela sofreu.

Fontes: 

dicionariomovimentopentecostal.blogspot.com
www.bbc.com
www.fridavingren.com.br
assembleianospuritanos.blogspot.com

 

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