25 milhões de pessoas na Ásia são escravizadas

Estima-se que 24,9 milhões de homens, mulheres e crianças viviam em escravidão moderna na Ásia e no Pacífico em 2016, segundo dados recentemente compilados.

De acordo com o 2018 Global Slavery Index divulgado pela organização sem escravos na Austrália, a Fundação Walk Free, na semana passada, cerca de 40,3 milhões de pessoas viviam em escravidão moderna em todo o mundo em 2016, sendo que 71% eram mulheres.

O Pacífico Asiático representa 56% da população mundial, e é o lar de cerca de 62% da população escrava global, mostrou o relatório.

"Este relatório monstra que esses crimes deploráveis ​​continuam ocorrendo fora de vista, e em uma escala trágica", disse o filantropo australiano Andrew Forrest em um comunicado à imprensa.

"Não podemos nos acomodar enquanto milhões de mulheres, meninas, homens e meninos ao redor do mundo estão tendo suas vidas destruídas e seu potencial extinguido por criminosos que buscam um lucro rápido."

Governos omissos

O relatório mostrou que a Coréia do Norte tinha de longe a maior prevalência da escravidão moderna como parte do "bem documentado trabalho forçado imposto pelo Estado", enquanto Índia, China e Paquistão possuíam o maior número absoluto de escravos - respondendo por 60% das vítimas.

O governo da Coreia do Norte foi acusado de não realizar nenhum esforço mínimo para combater a escravidão. Havia 104,6 vítimas por 1000 habitantes na Coréia do Norte, seguidos por 16,8 no Camboja, 11 em Mianmar, 10,9 em Brunei, 9,4 em Laos, 8,9 na Tailândia, 7,7 nas Filipinas e 6,9 ​​na Malásia.

A indústria pesqueira do Sudeste Asiático tem visto algum progresso em termos de resposta governamental devido a pressão da mídia sobre a escravidão generalizada e os abusos trabalhistas.

Embora os governos tailandês e indonésio, em particular, tenham tomado medidas para responder à questão”, escreveram os autores do Slavery Index, “ainda há mais a ser feito para reduzir o abuso endêmico que ocorre na indústria pesqueira”.

Escravidão moderna

O trabalho forçado era a forma mais comum de escravidão, quatro em cada mil pessoas em todo o Pacífico Asiático, enquanto duas em cada mil estavam vivendo em casamentos forçados. Na Ásia e no Pacífico 66% das pessoas são vitimas de trabalho forçado.

A região também teve o maior número de vítimas em várias formas de escravidão. Desse numero 73% das vítimas são exploradas sexualmente, 68% são forçadas a trabalhar pelas autoridades estaduais e 42% forçadas a se casarem.

Segundo o relatório, “um dos principais pontos de conflito na região tem sido o deslocamento em massa, sequestros, violência sexual e assassinatos cometidos contra a população Rohingya”.

"As organizações internacionais já alertaram que a probabilidade de escravização sexual e tráfico de seres humanos ocorrem como resultado desta crise" acrescentou.

A diretora executiva da Fundação Walk Free Foundation, Fiona David, disse que o índice de 2018 mostrou que a escravidão moderna é muito mais comum em países desenvolvidos como os Estados Unidos do que se imaginava.

"A prevalência da escravidão moderna é impulsionada pelo conflito e pela opressão, mas também é derivada em países mais desenvolvidos da demanda do consumidor pelos bens mais recentes ao melhor preço possível", disse ela. "O elemento comum é que todo país deve agir."

Fonte: Asian Correspondent

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