Alunos da Escola Dominical refugiam-se na mata para escapar do exército em Mianmar

Um pastor revelou que dezessete estudantes da Bíblia conseguiram escapar de um exército de minoria étnica em Mianmar. Ficaram sem se alimentar por dias e estão sofrendo problemas de saúde.

Um pastor identificado como Rev. Lazarus, secretário geral da Convenção Batista de Lahu em Kyaing Tong, disse ao UCAnews que os estudantes fugiram do Exército do Estado Unido Wa nas colinas de Wa, perto da fronteira de Mianmar com a China em grupos de dois ou três. A última dupla conseguiu chegar na última segunda-feira.

"Alguns deles não comeram por vários dias, alguns estão sofrendo problemas de saúde e outros agora têm problemas psicológicos", disse o pastor. "Eles não podem voltar para suas casas nas colinas de Wa, então estamos organizando-os para continuar frequentando a escola bíblica em outros lugares", acrescentou. Vinte e quatro cristãos que foram recrutados a força pelo exército permanecem na sede de Wa, incluindo vinte mulheres.

Limitação da prática religiosa

Os estudantes da Bíblia foram levados no início deste ano do município de Mong Pawk, onde 52 igrejas foram fechadas e mais de 90 líderes cristãos foram presos, parte da repressão contra o cristianismo. A UWSA declarou que apenas as igrejas locais construídas entre 1989 e 1992 são legais e proibiu o ensino de religião nas escolas.

"Estamos preocupados com os estudantes  que ainda restam, especialmente as mulheres, e continuamos pedindo sua libertação por diferentes canais", disse o reverendo Lazarus.

Lazarus disse a Radio Free Asia no final de outubro que a UWSA cercou algumas áreas e tornou as viagens na região impossíveis. "Nós vamos realizar uma cerimônia de oração no dia 7 de outubro", disse o líder da igreja na época. "Temos cerca de 400 seguidores, e vamos orar pela liberação rápida de nossos irmãos que foram levados embora".

Os cristãos também foram alvo de acusações falsas de conversão forçada, noticiou a Morning Star News. O líder cristão local, Keng Tung, disse que "as autoridades de Wa instruíram os cristãos em Mong Pauk a não orarem em casa".

"Assim, alguns membros cristãos não se atrevem a viver em Mong Pauk por mais tempo", acrescentou. "Eles vieram para ficar na cidade de Keng Tung, pois estão com medo".

Repressão severa

Centenas de crentes também foram forçados a assinar documentos prometendo limitar sua fé e não orar nas igrejas. A UWSA, que surgiu do Partido Comunista da Birmânia, concordou em libertar 100 cristãos em outubro, depois que eles concordaram em seguir tais regulamentações. U Nyi Rang, porta-voz da milícia, insistiu na época que as medidas estão sendo tomadas na luta contra o extremismo.

"Queremos estabilidade e estado de direito em nossa área, para que extremistas sejam presos. Tais medidas são necessárias, já que estamos nos preparando para celebrar o 30º Festival da Paz em 17 de abril do ano que vem e nenhum extremismo é permitido", disse ele no 30º aniversário do cessar-fogo da USWA com o governo de Mianmar.

A repressão levou vários padres, freiras e professores cristãos a ser expulso, o que foi condenado por grupos de vigilância de perseguição.

Benedict Rogers, líder da equipe da Solidarity Worldwide da Christian Solidarity Worldwide, disse que "a severidade desta repressão é profundamente preocupante. Nós pedimos à comunidade internacional que acompanhe esta situação de perto e considere quais ações poderiam ser tomadas para protestar contra essa repressão e proteger os cristãos nas áreas controladas pela UWSA”.

Fonte: The Christian Post

Compartilhe